Bob Vylan se manifestou contra o governo do Reino Unido após a polícia confirmar que não apresentará acusações criminais relacionadas à apresentação do grupo no festival de Glastonbury, realizada em junho.
Após o show no palco West Holts, em 28 de junho, a Polícia de Avon e Somerset abriu uma investigação sobre declarações feitas pelo vocalista Bobby Vylan durante a apresentação, que foi transmitida ao vivo no Reino Unido pela plataforma BBC iPlayer. A apuração analisou comentários sobre o conflito na Faixa de Gaza, incluindo críticas ao envolvimento do Reino Unido e dos Estados Unidos e um coro direcionado às Forças de Defesa de Israel.
A investigação foi encerrada no dia 23 de dezembro. Em comunicado, a polícia informou que, após a análise das evidências, o caso não atingiu o nível necessário para encaminhamento ao Ministério Público e que não havia perspectiva realista de condenação. Com isso, nenhuma outra medida será adotada.
Após o anúncio, o Bob Vylan divulgou uma nota pública reagindo à decisão. No texto, a banda afirma que o encerramento do caso não deveria ser visto apenas como uma vitória individual, mas como um indicativo de que a investigação não deveria ter sido iniciada. O grupo também declarou que, nos meses seguintes à apresentação, foi alvo de críticas de setores da mídia e de autoridades políticas por utilizar sua música e visibilidade para se posicionar sobre o conflito.
Logo após o show, os organizadores do festival de Glastonbury divulgaram uma nota afirmando que os comentários feitos no palco ultrapassaram limites estabelecidos pelo evento, reiterando que não há espaço no festival para discurso de ódio ou incitação à violência. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também se pronunciou à época, afirmando que não havia justificativa para as declarações.